Perfil 1. Como iniciou sua vida como Professor de Educação FÃsica?
Desde minha infância, fui estimulado a prática esportiva pelos meus pais. Pratique natação, judô, vôlei, entre outros. Com 15 anos de idade, comecei a praticar remo de forma muito dedicada, conquistando diversos tÃtulos. Nessa fase, quando estava com 17 anos, ainda no antigo cientÃfico em ano de vestibular, fui convidado a dar aulas técnicas na escolinha de remo, apenas ensinando os movimentos deste esporte. Me identifiquei muito com o trabalho de ensinar através do esporte, e acabei decidindo fazer vestibular para o curso de Educação FÃsica. Tive a felicidade de passar para a UFRJ.
2. Há quanto tempo você está no mercado de Ginástica Coletiva?
Quando ainda estava no 3º perÃodo da faculdade, fui convidado a estagiar em aulas coletivas para três grupos: um de 3ª idade no Forte do Leme, outro no CÃrculo Militar da Praia Vermelha e o terceiro em um condomÃnio na rua Rui Barbosa, no Flamengo. Isso foi em 1983, e de lá pra cá não parei mais. Já são 27 anos de experiência.
3. Segundo o America College, atualmente temos apenas 2% da população que freqüenta academia. Qual a perspectiva para os próximos anos?
De uma forma geral, existe hoje um movimento de conscientização através da mÃdia e dos médicos, sobre a importância do exercÃcio fÃsico e o combate ao sedentarismo para a melhoria da saúde e da qualidade de vida. Dando seqüência a este movimento, é provável que as pessoas busquem algum tipo de atividade fÃsica, e as academias são os locais mais seguros e qualificados para isso. Na minha opinião, a tendência é de crescimento.
4. Depois do USA, o Brasil está em 2º lugar em quantidade de academias. Você como um dos proprietários da Rede Proforma, vê isso de uma forma positiva? Por que?
Isso é relativo. Por um lado pode ser positivo, se a ótica for de mais locais para que as pessoas tenham acesso à prática de exercÃcios de forma segura e orientada. Por outro lado, podem aparecer estabelecimentos de qualidade duvidosa, interessados mais no lucro que na saúde do aluno, o que pode acabar gerando um efeito negativo nesse trabalho de conscientização da população para os benefÃcios da prática regular e bem orientada de exercÃcios fÃsicos.
5. Acredita-se atualmente que as aulas coletivas estão acabando. Você concorda com isso? Qual a sua percepção do mercado quando nos referimos ao futuro da Ginástica Coletiva?
A CBI, que é a revista da IHRSA, publicou recentemente que as aulas coletivas são as mais rentáveis para os negócios da academia. O custo de implementação e manutenção é bem menor se comparado a outros setores como musculação e cárdio, e a taxa de retenção de clientes é bem maior. Na Proforma, investimos bastante nesse setor e temos bons resultados.
6. Como professor de Ginástica Localizada, você tem alguma estratégia para fidelizar seus clientes? Qual?
Tenho várias, como: motivação durante a aula, desenvolver um compromisso do aluno com o treinamento, sociabilização com e entre os alunos, dentre outras. Em 2009, lancei um programa desenvolvido por mim, que trouxe bons resultados na captação e retenção de novos alunos, o CP Training Digital. É um programa digital de gestão de alunos, que os orienta sobre os equipamentos e cargas a serem utilizados em cada aula, as datas de reavaliação das cargas e sobre o treinamento complementar, caso haja necessidade. A atualização das informações é diária e os alunos podem ter acesso de casa, em seu próprio computador, ou nos totens que ficam nas salas de aula. Os alunos se sentem mais seguros e confortáveis com o treinamento e os resultados otimizados.
7. O que seria o CP Training? Alguém mais participa ou participou da formulação deste programa?
O CP Training nasceu de uma necessidade. Antes de montar a minha primeira academia e iniciar uma nova fase na minha carreira, a de gestor, eu dava até 10 aulas por dia. Com essa minha nova realidade da época, eu tive que diminuir consideravelmente a quantidade de aulas diárias que eu ministrava. Mas qual a melhor maneira de fazer isso, sem deixar de atender os alunos nos horários em que eu seria substituÃdo? Decidi treinar professores para dar continuidade ao meu trabalho, eu tinha que deixar bem claro para os alunos que aquele professor estava seguindo a mesma metodologia que eu. Por isso o nome CP, de César Parcias, não por ego, mas por questões estratégicas. Trabalhei na formatação do programa, buscando informações em cursos, artigos cientÃficos e em consulta com colegas de diversas especialidades.
8. Como fiz parte da sua equipe, na antiga Academia Leblon, sei que existe um treinamento para ministrar esse método. Como é feito esse treinamento?
Primeiro procuro identificar se o professor tem o perfil para trabalhar com aulas coletivas, depois tem a fase prática, nela o professor faz as aulas e a parte teórica, nesta ele fica de observador nas aulas, fazendo anotações. Isso até que ele esteja pronto para começar a dar aula. Num primeiro momento, ele apenas reproduz as aulas anotadas, até ele ser capaz de montar a sua própria aula, dentro das bases metodológicas do CP Training. Tudo sob minha supervisão.
9. Você tem interesse de apresentar este seu método para as academias do Rio de Janeiro? Já existe este projeto? Quando você pretende apresentá-lo?
Realmente, eu tenho um interesse futuro de apresentar o método para outras academias e estou trabalhando nesse projeto. Falta eu terminar alguns detalhes, ainda não tenho uma data precisa.
10. Atualmente, no mercado, os clientes tendem a optar pelo Personal Trainning. Você acha que isso é uma questão cultural de cada bairro ou é uma realidade mundial?
O serviço de Personal Training é excelente, um professor para um aluno. Se formos falar dos Estados Unidos de uma forma geral, é isso ou quase nada, pois eles não vendem o serviço, vendem somente o direito de utilizar as máquinas e as dependências da academia e se você precisar ou desejar algum tipo de acompanhamento, terá que contratar um Personal Training. Nas nossas unidades da Proforma, oferecemos um bom serviço de acompanhamento aos alunos, com profissionais qualificados e bem treinados. Mas com certeza, por mais bem montada que seja a equipe, o serviço 1/1 é insuperável, mas exige um investimento maior por parte do aluno.
11. O que você acha do surgimento de algumas academias que não possuem salas de ginástica, como a rede Smart Fit?
Em todos os ramos de negócios, as tentativas de novos modelos são sempre válidas, quem decide sobre eles é o mercado.
12. Qual a mensagem que você gostaria de passar aos seus colegas de profissão e proprietários de academias?
Para os meus colegas proprietários, bom senso e ética na concorrência são sempre o melhor caminho para todos. Para os meus colegas professores de Educação FÃsica, trabalhem com amor e dedicação que o resto se torna conseqüência. Para ambos, um não existe sem o outro, remem juntos.